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Engenheira síria destaca-se na EDP Distribuição
11-05-2018

Khuloud Kalthoum viveu em Damasco mas, devido ao cenário de guerra e destruição, teve que deixar a capital síria para prosseguir os estudos. Lutadora por natureza, mudou-se para o Porto ao abrigo da Global Platform for Syrian Students e destacou-se no Mestrado em Energias Sustentáveis, no ISEP. Atualmente, trabalha na EDP Distribuição e o seu percurso de sucesso já mereceu a atenção dos média.

As notícias e imagens de devastação que chegam da Síria não deixam ninguém indiferente. Khuloud Kalthoum viveu na primeira pessoa as agruras da guerra. “Sentia muita insegurança, pois quando saía de casa não tinha a certeza se ia voltar. Todos os dias ouvia e via bombardeamentos”, recorda a jovem de 29 anos. Na Universidade de Damasco, situada em plena capital, licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica, em 2011. No entanto, a vontade de crescer a nível académico levaram-na a concorrer a uma bolsa de estudo pela Global Platform For Syrian Students (organização não-governamental que tem como missão ajudar os estudantes sírios a prosseguirem os seus estudos em países seguros).

Graças à bolsa da ONG – liderada por Jorge Sampaio, antigo Presidente da República –, Khuloud mudou-se para o Porto, onde ingressou no Mestrado em Energias Sustentáveis, no ISEP. Desde cedo, habituou-se a percorrer os caminhos menos fáceis, pelo que optou por frequentar o curso em português, em vez de enveredar pela oferta letiva direcionada para os estudantes internacionais que o plano de estudos oferece. “A minha língua nativa é o árabe, mas escolhi português como língua de estudo e comunicação. Representou um enorme desafio para mim e não estou arrependida! Apesar de não ser obrigatório, foi algo que ajudou à minha integração em Portugal. Escrevi também a minha dissertação no idioma de ‘Camões’ e obtive 17 valores”, sublinha.

Atualmente, está a trabalhar como engenheira na Unidade de Investimento e Manutenção Planeado, da EDP Distribuição, em Braga, onde é responsável por estudar, orçamentar e valorizar os pedidos de ligação à rede de baixa tensão de novos clientes. De facto, o seu percurso na reconhecida empresa do setor energético tem sido de significativo crescimento. Primeiro, entrou para fazer um estágio curricular de seis meses sob a orientação de Domingos Carvalho, depois foi selecionada para um estágio profissional, com o apoio de Maria Pereira, e agora tem diversas responsabilidades no seu quotidiano laboral. “Estes estágios ajudaram à minha integração e promoveram a inserção e o conhecimento do mercado de trabalho. Fiz outras visitas de estudo a empresas, tendo sido sempre bem-recebida”, salienta Khuloud Kalthoum.

Dos tempos no ISEP recorda com saudades a vida académica e os bons momentos aqui passados. “Nunca me esquecerei da instituição. Aproveito para agradecer ao Professor Manuel Carlos Felgueiras, o meu orientador científico, e à Diretora de Mestrado Nídia Caetano pelo apoio que me deram. Para além disso, estou contente por saber que todos os meus colegas de curso também já estão integrados no mercado de trabalho”, declara a jovem, que obteve o grau de Mestre em Energias Sustentáveis, em 2016. Embora tenha finalizado os seus estudos no Ensino Superior, Khuloud continua a seguir de perto o ISEP. “Estou sempre atenta às novidades”, acrescenta.

Hoje em dia, a jovem engenheira sente-se feliz e grata pelas oportunidades que lhe foram dadas em Portugal. Contudo, não esquece a sua terra-mãe e muito menos a sua família que ainda permanece na Síria. É difícil imaginar, mas há menos de uma década, Damasco era a capital de uma das maiores ‘joias’ do Médio Oriente. “Uma terra fértil, antiga que existe há mais de dez mil anos, repleta de sítios lindos como montanhas, lagos, praias…”, comenta de forma nostálgica. Recentemente, concedeu uma entrevista à TVI24 e deixou bem claro que o seu maior desejo é regressar à Síria e contribuir para a reconstrução do país. Uma estudante de sucesso, com um espírito de lutador, e vontade de fazer mais e melhor.