Investigação

Sonda testada nos laboratórios do ISEP permite monitorizar os oceanos
07-06-2017

O Centro de Robótica e Sistemas Autónomos do INESC TEC (CRAS/INESC TEC), sediado no ISEP, testou nos seus laboratórios um sistema autónomo parar recolha de amostras biológicas marinhas, verificação das alterações na biodiversidade, de impactos no clima e de anomalias no ambiente. O MarinEye foi apresentado recentemente no ISEP e enfrenta o seu primeiro teste de ‘fogo’, em junho, nas águas do Atlântico. 

O protótipo tem vindo a ser desenvolvido, desde 2015, por um consórcio liderado pelo Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR). O CRAS/INESC TEC, sob a liderança neste projeto de Alfredo Martins (docente e investigador com vínculo ao ISEP) assumiu trabalhos de robótica, nomeadamente no desenvolvimento de um sistema de filtração, sistemas de aquisição e processamento de imagem, sistemas acústicos e integração do protótipo.

O MarinEye tem pouco mais de um metro e meio de comprimento e poderá atingir até os cem metros de profundidade. A sonda foi desenhada a pensar para missões de um ou dois meses e é flexível ao nível da sua utilização, pelo que pode ser agregada a um navio ou robô submarino, instalada no fundo do mar, ou estar amarrada numa boia. Com efeito, os investigadores tiveram em conta as referências científicas dos observatórios de Cascais, Berlengas e RAIA, permitindo a criação de um sistema autónomo suscetível de adaptação a cenários distintos.

Este sistema poderá assumir-se como uma ferramenta muito útil para a monitorização dos oceanos, ao tornar possível a observação e a interpretação de vários componentes (físicos, químicos e biológicos). Desta forma, assegurará uma gestão mais sustentável dos recursos marinhos, que enfrentam sérios desafios e são sensíveis aos impactos ambientais.

O MarinEye é constituído por diversos módulos, os quais são assentes em tecnologias avançadas, sendo o primeiro um sistema com diferentes sensores físico-químicos que servem, por exemplo, para medir a temperatura e a salinidade; dois dos módulos incluem um sistema de imagem de elevada resolução para recolha de imagens, com o objetivo de analisar a abundância de biodiversidade, e um sistema de acústica para assinalar a presença de seres vivos; no último encontra-se um sistema para filtração e preservação do DNA de micro-organismos.

A sonda dispõe também de uma plataforma que integra vários tipos de dados, ao que é suportada por um software que torna possível a visualização e sumarização das informações recolhidas. Outra caraterística assenta na capacidade configuração do MarinEye por computador ou telemóvel – via conexões cabo ou Wi-Fi. Assim sendo, os investigadores poderão definir o que cada sensor deve fazer sob perspetivas diferentes.

No total o projeto foi financiado em 400 mil euros, com o apoio das EEA Grants e fundos comunitários, e envolveu outras entidades além do CROB/INESC TEC e do CIIMAR, nomeadamente o Instituto Português do Mar e da Atmosfera IPMA, Instituto Politécnico de Leiria – Mare e a Direção Geral de Política do Mar.

Fotografia cedida pelo CIIMAR