Frei Bento Domingues

Frei Bento Domingues, o.p. , (Travassos, Vilar – Terras de Bouro, 1934). Entrou para o Noviciado na Ordem dos Pregadores (Dominicanos) em 1953. Estudou Filosofia e Teologia em Fátima, Salamanca, Roma e Toulouse. Como Assistente da Juventude da Igreja de Cristo Rei (Porto), em 1962 e 1963, foi responsável pela exposição, O mundo interroga o Concílio.

Dedicou-se ao ensino e à investigação teológica desde 1965: foi professor no Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET), no Instituto de Psicologia Aplicada, no CRC (Cento de Reflexão Cristã), na Escola de Educadoras de Infância – Maria Ulrich – e director do Instituto de S. Tomás de Aquino (ISTA). Participou com D. Luís Pereira, Bispo da Igreja Lusitana, na primeira Conferência Ecuménica, em Portugal, organizada pela Cooperativa Pragma. Fez parte da equipa da publicação da tradução portuguesa da revista internacional, Concilium , a partir de 1965 e dos colóquios Concilium .

Durante a década de 80 colaborou, na área da Teologia da Inculturação, em cursos de reciclagem de missionários e na preparação dos Animadores de Comunidades cristãs em várias dioceses de Moçambique.

Ensinou Teologia no Seminário Maior de Luanda (Angola), no Centro Bartolomé de Las Casas (Cuzco – Perú) e na Universidade S. Tomás de Aquino (Bogotá – Colômbia).

Participou na configuração do Centro de Pedro de Córdoba (Santiago do Chile), especializado no diálogo entre Teologia e Ciências Humanas, onde também ensinou; assim como na configuração do Centro de Teologia/Ciência das Religiões e da Licenciatura em Ciência das Religiões, da Universidade Lusófona, dos quais foi o primeiro Director.

Tem muita colaboração dispersa por obras de conjunto e por várias revistas ( Igreja e Missão; Brotéria; Communio; Seara Nova; Reflexão Cristã; ISTA; Ler; etc. ) e em vários jornais, assim como uma vasta participação em Congressos e Semanas de Estudo. Foi co-fundador dos Cadernos Afrontamento (Porto), do Boletim ISET e do Boletim Reflexão Cristã . Dirigiu os Cadernos de Estudos Africanos .

Dirige a colecção Nova Consciência do Círculo de Leitores.

Depois de crónicas regulares no Sempre Fixe e na Luta , mantém, desde 1992, uma coluna dominical no Público , dedicada à análise do fenómeno religioso no mundo contemporâneo.

Participou em várias iniciativas de carácter cívico: no lançamento da publicação clandestina, Direito à Informação ; fez parte do secretariado da Comissão Nacional de Socorro aos presos políticos, do Comité Português Pró-Amnistia Geral no Brasil; foi membro do Conselho Nacional de Imprensa.

Foi agraciado com a Ordem da Liberdade (Grande Oficial), pelo Presidente da República, 2004.

Algumas obras publicadas:

Verdade e Ambiguidades da Inculturação Missionária , in Igreja e Missão , Cucujães, 1984;
A Religião dos Portugueses , Figueirinhas, Porto, 1988;
A Religião e a Política , Ass. “Palha de Abrantes”, 1988;
A Missão sem fronteiras e as fronteiras das missões , Braga, 1993;
A Humanidade de Deus , Figueirinhas, Porto, 1995;
A Igreja e a Liberdade , Figueirinhas, Porto, 1997;
As Religiões e a Cultura da Paz, Figueirinhas, Porto, 2002.
A Religião e as Igrejas no Mundo contemporâneo, Câmara Municipal de Cascais, 2003.
As Religiões e a Cultura da Paz, 2º Volume, Figueirinhas, Porto, 2004.

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Tópicos

Como qualquer ignorante desta temática, posso, no entanto, verificar: aquilo que em séculos passados foram, apenas, quimeras, são hoje realidades e possibilidades que manifestam a vitalidade imensa e crescente das ciências, da tecnologia e do controlo material sobre o meio ambiente. A técnica moderna tornou-se completamente consubstancial à vida humana. Transitamos de um “meio natural” para o que alguns designam “tecnobiosfera”.

O próprio corpo humano é, hoje, o lugar de inúmeras intervenções, projectos ou figurações que pretendem a sua transposição parcial ou total: próteses de alta tecnologia, cirurgia plástica, engenharia genética, alteração do sexo, tendentes a formar “híbridos de organismo e máquina”, que já levou a dizer que «o cyborg é a nossa ontologia; e dita a nossa política».

Estaremos a caminho de eliminar todas as nossas limitações físicas e metafísicas? Estaremos dispostos a abandonar todas as interrogações e preocupações antropológicas quanto ao destino do ser humano no mundo?

Com as viagens interespaciais, o ser humano acedeu à condição de habitante do cosmos, mas revelará as mesmas capacidades para tornar o nosso mundo uma terra pacífica?

Não existe apenas a razão científica e tecnológica. A ética, a religião, a música, a poesia, as artes, são formas de conhecimento. A razão é plural. Como poderão articular-se, entre si, as diferentes formas de conhecimento?

Que poderá significar dizer que “só a beleza nos pode salvar”? Ou que “só um Deus, nos pode ainda salvar”? Salvar o quê? Se a razão é plural, não deveremos falar também de salvação de forma plural?

Consciência: a responsabilidade de manter vivas as tensões criativas entre ciência, tecnologia, arte, ética e religião. Esta talvez seja uma das atitudes mais razoáveis. O diálogo não suprime as tensões. Pode torná-las criativas.

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