Investigação

Estudo liderado pelo ISEP pode levar a novos diagnósticos do cancro
13-01-2020

Luís Oliveira, docente do Departamento de Física do ISEP e investigador do CIETI, grupo de I&D, descobriu uma nova técnica para aumentar a transparência dos tecidos biológicos no ultravioleta que vem facilitar e melhorar os procedimentos clínicos de diagnóstico e tratamento de patologias. Esta investigação foi desenvolvida em parceria com o IPO-Porto e com a Universidade Estatal de Saratov, da Rússia, e está a merecer reconhecimento por parte da comunidade cientifica internacional.

Os tecidos do corpo humano possuem propriedades óticas que limitam a aplicação de luz em procedimentos clínicos de diagnóstico e tratamento de doenças. Esta atenuação é ainda mais forte na zona do ultravioleta, permitindo apenas aplicações muito específicas e meramente superficiais para tratamento de doenças dermatológicas, como, por exemplo, a psoríase.

A troca parcial da água intersticial dos tecidos biológicos por um agente como a glucose ou a glicerina, permite aumentar a transparência nos tecidos. No entanto, até agora, esta técnica era apenas aplicada nas zonas espectrais do visível e do infravermelho. Com o objetivo de testar este aumento da transparência dos tecidos no ultravioleta, Luís Oliveira realizou um estudo com tecidos da camada muscular do colon humano. Assim, mergulhando os tecidos em soluções aquosas, com diferentes concentrações de glicerina, foi possível observar a criação de duas novas janelas óticas de transparência. 

Deste modo, graças a esta nova técnica de transparência, a luz ultravioleta consegue penetrar mais fundo nos tecidos, sem se espalhar, permitindo adquirir imagens médicas de camadas mais profundas e, ainda, realizar cirurgias para remoção de tumores que se encontrem no interior dos tecidos.

“Esta descoberta tem sido muito aclamada pela comunidade científica internacional, pois abre novas possibilidades para realizar diagnóstico e tratamento de patologias de forma não invasiva. Devido à localização espectral destas novas janelas, poderá permitir, entre outras aplicações, estabelecer novos protocolos de diagnóstico para o cancro, cirurgia UV, imagiologia UV, proceder ao estudo do DNA ou realizar histologia de tecidos in vivo”, refere o docente e investigador.

Como resultado desta investigação, foi feito um pedido de patente nacional por parte do ISEP e pela universidade russa. No CIETI, já estão a ser realizados novos estudos com o objetivo de aplicar estas janelas de transparência no ultravioleta para desenvolver um procedimento de diagnóstico do cancro in vivo.