Investigação

FishBioSensing pretende evitar o desperdício alimentar de produtos de pesca
29-01-2018

O ISEP, através GRAQ-REQUIMTE (Grupo de Reação e Análises Químicas), lidera o FishBioSensing  – Portable electrochemical (bio)sensing devices for safety and quality assessment of fishery products (em português, “dispositivos eletroquímicos portáteis para avaliação de segurança e qualidade dos produtos da pesca”). O objetivo deste projeto é estabelecer uma rede altamente especializada e proactiva na segurança e qualidade alimentar através do desenvolvimento de técnicas rápidas.

Atualmente, cerca de um terço dos alimentos produzidos para o consumo humano é desperdiçado a nível mundial. Ora, o desperdício alimentar é um problema ético, económico e ambiental, sendo esta situação ainda mais grave no que respeita aos produtos da pesca. Por norma, o desaproveitamento neste setor ocorre em todos os níveis da cadeia, desde a pesca às casas dos consumidores. Em Portugal, estima-se que as perdas no aprovisionamento do pescado atinjam as 33 mil toneladas por ano, representando quase um quarto do que efetivamente é pescado.

Este cenário de elevado desperdício levou o GRAQ-REQUIMTE à produção de mais um projeto de investigação. O FishBioSensing surge, assim, da necessidade premente de priorizar os parâmetros mais importantes para a cadeia do pescado, aprofundando o tema do desperdício alimentar. Neste contexto, a equipa liderada pela investigadora e docente do ISEP, Cristina Delerue-Matos, vai centrar-se, sobretudo, na histamina – como parâmetro de qualidade.

O FishBioSensing corresponde ainda ao desenvolvimento de uma linha de investigação que tem vindo a ser implementada pelo GRAQ já há alguns anos. Tudo começou com a dissertação de Doutoramento de Maria João Ramalhosa, em 2011, com um trabalho dedicado à conceção e validação de metodologias de extração dos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH) e a avaliação da contaminação por estes poluentes orgânicos em três espécies de peixe: a sardinha, a cavala e o carapau.

Depois disso, seguiu-se o projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), denominado “Cefalópodes: Benefícios e riscos do consumo; Avaliação das respostas dos biomarcadores à poluição orgânica”. Mais recentemente, o grupo de I&D do ISEP dedicou-se ao iCanSea, cujos resultados finais mereceram a atenção dos média portugueses, ao incidir na criação de conservas de peixe com algas para diferenciação nutricional.

O projeto FishBioSensing arrancou em junho último e vai prolongar-se até 2019. Para além do ISEP, entidade coordenadora, participam nesta investigação os seguintes parceiros: WeDoTech, Instituto Politécnico de Leiria e Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL). No total o consórcio beneficia de cerca de 150 mil euros, os quais são financiados pela FCT. De salientar também que o FishBioSensing originou já a organização de um workshop, nas instalações do ISEP, em outubro, dedicado ao tema “O Desperdício Alimentar de Produtos de Pesca”.